18/04/2017 17h40 - Atualizado em 25/04/2017 09h03

Ensilagem de volumoso garante sustentabilidade na produção de leite no Norte do Estado

Foto: Tatiana Caus/Incaper
Pai e filho trabalham juntos, em prol da produção leiteira. Eles adotaram o "Silo Cincho" para obter melhores resultados de produção.

O período de escassez de alimentos para o gado, especialmente em épocas de seca, prejudica a vida dos agricultores familiares das pequenas e médias propriedades, acarretando prejuízos pela diminuição da produção de leite. Mas, a técnica simples, segura e de baixo custo, denominada “Silo Cincho”, tem trazido transformações positivas para as famílias rurais de Ecoporanga, no Norte do Estado.

Pela falta de alimentos nos períodos mais críticos, o produtor se depara com a perda de peso dos animais, a diminuição da fertilidade, o enfraquecimento geral do rebanho e até mesmo a morte. Diante deste cenário, a pouco menos de dois anos, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), por meio do escritório local (EDLR) de Ecoporanga, têm acompanhado produtores de leite de pequenas e médias propriedades a técnica da ensilagem, ou Silo Cincho.

A tecnologia é de origem italiana, e carrega um tipo de silo, que são construções para o armazenamento e conservação de forragens, com baixo custo de produção, requer menos máquinas e mão-de-obra, e conserva forragens volumosas preparando a alimentação dos animais do campo nos períodos de seca. Sendo assim, é indicado para criadores com poucos animais, que desejam, ou têm a necessidade de armazenar a produção de massa de suas capineiras, ou pequenas lavouras de milho, sorgo, milheto, rama de mandioca, camerom e cana-de-açúcar.

O zootecnista e extensionista do Incaper, Lázaro Samir Abrantes Raslan, lotado no Escritório Local de Desenvolvimento Rural (ELDR) do Incaper em Ecoporanga, foi reconhecido e premiado em 1º lugar na Categoria “Assistência Técnica e Extensão Rural”, pelo projeto “Silo Cincho” durante o Prêmio Destaque do Incaper, em 2016.

O Cilo Sincho conserva os alimentos reduzindo o pH por meio da produção de ácido láctico pelas bactérias anaeróbicas. É utilizado inoculante, que são borrifados durante o processo, para aumentar a flora bacteriana e que têm por objetivo conservar o silo e o seu valor nutritivo original da forragem, além de evitar que bactérias, fungos e mofos se desenvolvam. O material é cortado 12 horas antes para elevar a matéria seca de 30 a 35%, picado em ensiladeira com espessura de 1 a 2 cm e depois que a forma vai sendo cheia com o material volumoso e compactada com os próprios pés do próprio produtor a forma sobe naturalmente sozinha.

O extensionista, que acompanha a prática de aproveitamento das capineiras nas propriedades, lembrou da seca que assolou o Estado e prejudicou os produtores capixabas. “Eles viram rapidamente a produção de leite cair e até mesmo a morte de animais, pela falta de pastagem natural, ou em forma de silagem, além do aumento dos custos”. Segundo ele, em casos assim, o agricultor familiar não tem recursos para gastar com os maquinários e, nem viabilidade econômica para ensilar as pequenas quantidades de volumoso. “Por isso, essa ferramenta permite que eles alimentem os seus animais na seca, diminuam custos e a sazonalidade da produção, viabilizando a produção de leite. Essa metodologia é muito utilizada no norte de Minas Gerais, sertão da Paraíba e da Bahia pelos produtores rurais de base familiar”.

No Córrego Oswaldo Cruz, em Ecoporanga, o produtor de leite, o senhor Elis Pegoretti, conta apenas com a ajuda do seu filho Paulo Roberto para os esforços nos cuidados com os animais e na produção de leite, até a entrega em um laticínio (local) da região todo mês. Ao todo, na propriedade são 16 vacas – sendo 12 em lactação e quatro secas. Tem seis novilhas, 12 bezerros e um touro reprodutor.  Por entre os piquetes, os animais podem desfrutar o ar fresco em uma área de descanso, feita com lona de estufa na parte de cima para a proteção do sol e sustentada com pau de eucalipto nas laterais.

Com o incentivo do Incaper, a família adotou a silagem. Pai e filho preparam o silo com Cameron, cana-de-açúcar e futuramente mandioca. Já são mais de 15 toneladas de comida, desde janeiro deste ano, que são ensiladas geralmente a cada 70 dias, dependendo do ponto de colheita do Cameron (1,70m). Já são mais de 35 toneladas de silagem armazenada.

“Antes de usarmos o armazenamento de volumoso na nossa propriedade, A média das vacas era cerca de 3 a 5 litros e, aproximadamente, 50 litros de leite por dia e hoje em dia são em média 8 a 10 litros por animal, com os animais consumindo somente volumoso, e a maioria já para secar. A nossa renda aumentou cerca de 40% por mês”, contou senhor Elis. Por lá, a produção mínima de leite chega a cerca de 80 a 90 litros por dia, nos períodos de produção mínima e, quando chega a sua máxima, são cerca de 140 a 160 litros recolhidos.

“Até o tempo de cio dos animais mudou. Depois que adotamos a silagem nós vimos os animais dos vizinhos entrarem no cio só de oito a nove meses, no máximo. Já os nossos, por conta da alimentação reforçada, precisam apenas de 45 dias a 60 dias”, explicou Paulo Pegoretti.

Na propriedade hoje também é possível perceber o planejamento da forragem para os animais. “O rendimento é justamente termos todos os dias ponta de capim para a alimentação, para a geração de leite. Hoje eu tenho a satisfação de dizer que o único obstáculo pra essa propriedade é a falta de mais animais e não de alimento. Poderíamos ter vários outros animais aqui que não faltaria comida”, afirmou Lázaro.

Além do leite e da cana-de-açúcar, os Pegoretti entregam café pilado para algumas cooperativas e há quatro meses estão investindo nos pés de mandioca nas áreas degradadas também para silagem. “A mandioca é recomendada para a alimentação animal, uma vez que tem mais de 30% de proteína, sendo uma dieta perfeita quando se usa o farelo de mandioca – 60% de raiz aérea e 40% de folha, formando um concentrado com quase 22% de proteína que pode substituir o milho utilizado no concentrado e diminuir pela metade a soja”, explicou Lázaro.

Os tipos de silo

Existem vários tipos de silo, mas os mais frequentes são os horizontais, do tipo trincheira ou da superfície. Há também os cilíndricos verticais do tipo cisterna ou cincho e cilindros horizontais como o “silo bag”. Ele tem uma superfície com menor capacidade de armazenamento com média inferior a 10 toneladas de silagem edeve ficar a aproximadamente 40cm abaixo do solo e ter uma altura cerca de 1m70cm.

A forma que é utilizada pelo escritório local do Incaper em Ecoporanga, é composta por duas chapas metálicas que somadas formam um círculo de aproximadamente 2,5 metros de diâmetro e 0,5 metros de altura para facilitar o seu transporte e demonstração de uso em palestras e dias de campo. O tamanho depende da especificidade de cada produtor, sendo mais recomendado até 5,0 metros quando se usa a lona de 12 metros de largura.

A lona deve ser jogada após a retirada da forma e vai ficar sem oxigênio uma vez que as bactérias do inoculante aumentam o ácido lácteo e estabiliza a silagem por mais tempo para a utilização nas épocas da colheita do café e nos períodos de seca. Segundo Lázaro, sua metodologia é fazer um semi-confinamento e o material é usado diariamente durante a 1ª e a 2ª ordenha dos animais. Além das inúmeras vantagens da técnica, o excedente do campim pode ser usado para a comercialização o que é mais uma fonte de renda para os produtores.

Assessoria de Comunicação do Incaper
Juliana Esteves - juliana.esteves@incaper.es.gov.br
Luciana Silvestre – luciana.silvestre@incaper.es.gov.br
Tatiana Caus – tatiana.souza@incaper.es.gov.br
Vanessa Capucho - vanessa.covosque@incaper.es.gov.br
Texto: Tatiana Caus
Tel.: (27) 3636-9865 / (27) 3636-9868

Tópicos:
silo, volumoso, seca
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