25/04/2017 09h30 - Atualizado em 25/04/2017 10h20

Nova gestão das propriedades traz qualidade e aumento de produção para pecuária capixaba

Foto: Tatiana Caus/Incaper
O município de Ecoporanga é o maior produtor de leite do Estado, com uma produção em torno de 120 mil litros de leite por dia.

Ecoporanga, no Norte do Estado, tem como principais atividades a pecuária de corte e leiteira e a cafeicultura. Por lá, o projeto “Mais Leite Ecoporanga” trouxe para os pecuaristas capixabas a transformação de antigos conceitos na gestão das propriedades, em uma produção de leite maior e com mais qualidade, respeito ao meio ambiente e com menos custos.

De acordo com o extensionista e zootecnista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper),Lázaro Samir Abrantes Raslan,no município os animais são em sua maioria girolandos, mas não são numerados, não recebem concentrado adequadamente e os produtores não fazem controle zootécnico dos animais. Praticamente 90% fazem apenas uma ordenha mecanizada, a maioria das associações possuem o botijão de sêmen, mas as propriedades não têm estrutura para criar e recriar bezerras.

Segundo Lázaro, observou-se que a maioria dos produtores não possuíam estrutura física e não tinham planejamento alimentar em suas propriedades, são de sistema extensivo, sem divisão de pastagem, com potencial hídrico, mas relevos acidentados. No sistema extensivo os níveis de produtividade geralmente são baixos, uma vez que os animais têm sua dieta limitada ao consumo de pastos nativos, vivem soltos sem maiores cuidados. Nesse caso, para alcançar uma produtividade razoavelmente suficiente, é preciso que as condições naturais favoreçam.

O município é o maior produtor de leite do Estado, com uma produção em torno de 120 mil litros de leite por dia, bem como o maior possuidor do maior efetivo pecuário bovino do Espírito Santo, com 202.917 cabeças, segundo o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf). Segundo um levantamento realizado pelo escritório local do Incaper (ELDR) em Ecoporanga, a comercialização do leite chega a aproximadamente 850 litros por dia de forma informal, o qual é destinado a padarias e residências locais.

Atualmente Ecoporanga possui mais de 30 associações ligadas aos interesses da agricultura familiar, os Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) e Sindicato Rural de Ecoporanga (SRE) e a Central Municipal das Associações de Agricultores Familiares e associações afins do município (CEMAFEC), na qual estão anexas 14 associações de agricultores familiares e bairros de Ecoporanga.

“Apesar de existir um número bem expressivo de associações de produtores, percebemos algumas lacunas na sua organização e gestão porque muitas delas têm o seu histórico ligado ao assistencialismo ou compadrio político, o que dificulta a realização de um trabalho mais sistemático e organizado em torno dos princípios do associativismo. Nesse sentido, uma de nossas metas é aperfeiçoar a gestão disponibilizando um atendimento totalmente vinculado aos anseios do agricultor familiar”, explicou Lázaro.

Oportunidade

Para isso, as associações foram mobilizadas pelo Incaper, juntamente com o Sindicato Rural de Ecoporanga (SR) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), para que fosse implementado o Projeto “Mais Leite Ecoporanga”, para a capacitação dos agricultores familiares nas suas propriedades.

Em 2014 e 2015 foram montadas quatro turmas de 15 produtores, totalizando 60 deles, que receberam assistência técnica e capacitação continuada durante um ano, com dez cursos de formação profissional. São eles: administração de propriedade em regime de economia familiar; aplicação de defensivos agrícolas; vaqueiro; manejo de pastagem; manutenção e irrigação de pastagem; manejo de rebanho; alimentação de bovinos leiteiros; qualidade do leite; ordenha mecânica e inseminação artificial.Participaram dos cursosprodutores das Associações dos Córregos Dourada, Carrapatinho, Santa Rita e Oswaldo Cruz.

Lázaro Raslan foi reconhecido e premiado em 1º lugar na Categoria “Assistência Técnica e Extensão Rural”, no Prêmio Destaque do Incaper, pelo projeto.

“A partir daí, eles começaram a planejar as suas propriedades sob um novo olhar e de uma forma bem diferente, trazendo melhoras significativas na produção e qualidade dos produtos e uma nova gestão de manejo zootécnico e sanitário a qual antes não dominavam. Além da capacitação com qualidade que os produtores tiveram a partir dos cursos, o projeto ainda proporcionou ao escritório local conhecer os córregos e associações do município, bem como traçar um diagnóstico da bacia leiteira de Ecoporanga”, lembrou Lázaro.

Lázaro lembrou que teve a certeza que os produtores da região tinham as suas áreas intensificadas erroneamente e investiam em tecnologias de irrigação e inseminação sem qualquer conhecimento de administração da propriedade. “Portanto, esse foi um projeto único que visa treinar os produtores quanto a importância de um bom diagnóstico da propriedade. Eles foram ensinados a unir também os seus pontos fortes, as suas fraquezas, bem como as oportunidades e as ameaças e, com isso, fazer um bom planejamento estratégico para a sua propriedade”, acrescentou.

Resultados alcançados

O produtor de leite e de café pilado da região do Córrego Dourada,Wanilson Rodriguez da Silva, contou que nas lotações os meus gastos não eram controlados antes do curso de administração da propriedade. “Hoje consigo, com a assistência técnica, diagnosticar e planejar as minhas ações e na medida do possível executá-las”, contou. 

“No curso de defensivos agrícolas eu consegui aprender quais são os perigos que devo evitar, como fazer as pulverizações corretas no pasto e nos animais e a ter mais cautela e consciência para que eu não prejudique a mim mesmo e as lavouras. Agora já até sei qual a roupa apropriada que devo usar”, acrescentou Wanilson.

O curso de vaqueiro e de manejo do rebanho os produtores puderam aprender a forma correta de contensão dos animais, limpeza dos utensílios, manejo, castração de bovinos e aplicação de medicamentos.A exemplo disso, uma das técnicas já adotadas pelos produtores que chama-se “Roda da Reprodução” – já lançada também em aplicativo – onde localiza-se os animais de acordo com cores; a exemplo disso, “vermelho” são vacas em lactação vazio, “amarelo” são os animais inseminados ou cobertos, “azul” são vacas em lactação gestantes e “verde” são marcadas as vacas secas gestantes. “Quando a vaca pari, ela sai de uma cor para a outra. Ela tem um período de 90 dias para retornar ao cio e ir para a marcação em amarelo e após a avaliação do veterinário, retornar para a cor azul”, contou Paulo Roberto Pegoretti, que já aderiu a mais essa forma de gerenciar os animais.

O curso de manejo de pastagens foi abordado todo o manejo das pastagens através do plantio, adubação, altura dos resíduos, divisão e manutenção. Durante os cursos foi mostrada a técnica do plantio direto em áreas montanhosas para a formação ou renovação da pastagem.

“Quando cheguei na propriedade do Pegoretti, os piquetes estavam distribuídos de maneira incorreta, com largura e comprimento desproporcionais para os animais. Eram apenas 15 piquetes cumpridos e estreitos. Os animais por vezes entravam nessas áreas e não chegavam até o final. Então, dividimos em 28 piquetes uma área de 1.3 há com Mombaça com um corredor no meio”, lembrou Lázaro.

Todos os produtores participantes foram instruídos a corrigir e adequar os seus sistemas de irrigação, aumentando a eficiência e lotação animal, a escolher da melhor maneira os alimentos dos animais, dando a devida importância a volumosos de qualidade, como pastagem intensiva, capineira ou cana, bem como higiene para a melhoria do leite comercializado e o investimento na inseminação artificial de bovinos, como uma técnica segura, simples e de baixo custo para a reprodução animal.

“Com os cursos de assistência técnica, os produtores viram a importância de adequarem os seus espaços para produzirem mais e com mais qualidade. Essa assistência torna-se uma ferramenta cada vez mais necessária para o crescimento das atividades da família rural”, reforçou Lázaro.

Bovinocultura Sustentável

O Programa Capixaba de Bovinocultura Sustentável tem como premissa facilitar o acesso dos pecuaristas às tecnologias de produção e de gestão, ampliando seu conhecimento. Além disso, visa estimular a diversificação das atividades econômicas do meio rural e a recuperação de áreas degradadas e, principalmente, proporcionar o aumento da renda dos produtores rurais e de suas famílias, além da geração de empregos no campo.

Estão à frente das ações propostas o diretor presidente, Marcelo Suzart de Almeida, o diretor-técnico, Mauro Rossoni Júnior e os zootecnistas Bernardo Lima Bento de Mello e Lázaro Samir Abrantes Raslan e os pesquisadores Bevaldo Martins Pacheco e Mércia Regina Pereira de Figueiredo, do Incaper.

“Esse programa deve ser continuado, sob os olhos da assistência técnica, em todo o Estado do Espírito Santo. Recentemente já temos articulações no Norte e no Sul do Estado e que posteriormente seja referência para outros estados também”, contou Lázaro.

Informações à imprensa:
Assessoria de Comunicação do Incaper
Juliana Esteves - juliana.esteves@incaper.es.gov.br
Luciana Silvestre – luciana.silvestre@incaper.es.gov.br
Tatiana Caus – tatiana.souza@incaper.es.gov.br
Vanessa Capucho - vanessa.covosque@incaper.es.gov.br
Texto: Tatiana Caus

Tel.: (27) 3636-9865 / (27) 3636-9868
Twitter: @incaperFacebook: Incaper

Tópicos:
leite, gestão, propriedades
2015 / Desenvolvido pelo PRODEST utilizando o software livre Orchard
Google Analytics - Incaper