Cerca de 120 participantes, entre produtores, técnicos, estudantes, pesquisadores e representantes de instituições ligadas ao setor, participaram, nessa quarta-feira (17), do Dia de Campo “Laranja de Mesa do Caparaó: Qualidade, Origem e Mercado”, realizado em Jerônimo Monteiro, no sítio do produtor Dair Nascimento.
Promovido pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae/ES), o evento teve como objetivo fortalecer a citricultura de mesa na região por meio da difusão de conhecimentos técnicos, da troca de experiências e da discussão de estratégias para agregação de valor à produção.
Jerônimo Monteiro, que tem o título de "Terra da Laranja", está entre os principais municípios produtores da fruta no Espírito Santo, destacando-se pela tradição na atividade e pelas condições favoráveis ao cultivo. Nesse contexto, o evento reuniu especialistas para debater temas estratégicos para o desenvolvimento da cadeia produtiva, com foco em qualidade, origem, mercado e sustentabilidade.
Em um painel sobre origem e mercado, Marco Aurélio e Carla, da Fazenda Recreio do Panamá, localizada no município, compartilharam experiências sobre organização da produção e estratégias para ampliar oportunidades na citricultura. Já o pesquisador José Ronaldo de Macedo, da Embrapa Solos, apresentou um relato sobre a valorização da origem e da identidade territorial a partir da experiência desenvolvida na região de Tanguá, no Rio de Janeiro.
As atividades de campo também abordaram desafios técnicos enfrentados pelos produtores. O pesquisador do Ifes Campus Alegre, Vitor Zuim, apresentou informações sobre o greening (HLB), considerada a doença mais destrutiva da citricultura mundial. Embora não haja registro da doença no Espírito Santo, sua ocorrência já foi confirmada em sete estados brasileiros e no Distrito Federal, tornando a prevenção uma prioridade para a citricultura capixaba.
Nesse contexto, foram apresentadas orientações para reduzir os riscos de introdução da doença no Estado, com destaque para a aquisição exclusiva de mudas certificadas e produzidas em viveiros regularizados, o monitoramento constante dos pomares e o controle do psilídeo Diaphorina citri, inseto transmissor da doença.
O pesquisador também apresentou o projeto que coordena em parceria com o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), que busca identificar precocemente a presença da bactéria no psilídeo, possibilitando a adoção antecipada de medidas de defesa vegetal nos pomares cítricos.
A engenheira agrônoma Gilciana Lima, responsável técnica da Vitagrícola, apresentou orientações sobre nutrição dos citros de mesa. Já o pesquisador do Incaper Marlon Dutra discutiu estratégias de manejo integrado do ácaro da leprose, uma das principais pragas da cultura.
De acordo com a extensionista do Incaper e organizadora do evento, Marianna Abdalla, a iniciativa buscou aproximar informações técnicas da realidade dos produtores e contribuir para o fortalecimento da atividade na região.
“Os temas abordados no Dia de Campo são fundamentais para os desafios que os citricultores enfrentam diariamente, como manejo, nutrição, sanidade e qualidade dos frutos. Um dos destaques foi o greening, uma das principais ameaças à citricultura atualmente e um tema de grande importância para a citricultura capixaba. O evento permitiu levar informações técnicas aos produtores, promover a troca de experiências e discutir soluções práticas para fortalecer a produção e a sustentabilidade da atividade na região”, destacou.
O evento contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes) – Campus de Alegre, da Prefeitura de Jerônimo Monteiro, do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes) e de empresas parceiras.
Dados da laranja no Espírito Santo
A laranja tem posição de destaque na fruticultura capixaba. Em 2025, a cultura ocupou 1.559 hectares de área colhida no Espírito Santo e alcançou uma produção de 20.452 toneladas. A produtividade média foi de 13.119 quilos por hectare, um crescimento de 11,66% em relação a 2024.
Mesmo com redução de 7,75% na área colhida, a produção estadual aumentou 3%, demonstrando avanços em eficiência e produtividade nos pomares. Entre as principais culturas cítricas cultivadas no Estado — laranja, limão e tangerina — a laranja respondeu por cerca de 29,4% da produção total.
Além da relevância produtiva, a cultura também tem peso econômico significativo. Em 2024, o Valor Bruto da Produção (VBP) da laranja alcançou R$ 45,3 milhões, contribuindo para a geração de renda, emprego e desenvolvimento da fruticultura no Espírito Santo.
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Felipe Ribeiro
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