01/12/2021 16h30 - Atualizado em 02/12/2021 12h20

Incaper apresenta resultados parciais dos projetos de pesquisa da Rede Inova Café

Foto: Vanessa Capucho/Seag
Rede Inova Café é composta por nove projetos de pesquisa, com total de 53 pesquisadores envolvidos para manter o controle da qualidade dos cafés capixabas.

Na tarde desta quarta-feira (1º), foram apresentados os resultados parciais dos nove projetos de pesquisa da Rede Inova Café, na Universidade de Vila Velha (UVV). O objetivo da rede é alavancar o desenvolvimento da atividade cafeeira do Estado e o maior controle da qualidade dos cafés.

Por meio dos projetos de pesquisa, são estudados e avaliados os níveis de resíduos de herbicidas utilizados no controle de plantas daninhas, a fim de fornecer evidências objetivas dos impactos nos grãos do café. A Rede tem ainda como objetivos identificar boas práticas agrícolas para o manejo adequado dos defensivos agrícolas nas lavouras cafeeiras do Estado e criar novas tecnologias para serem transferidas diretamente ao produtor capixaba. 

“Um dos fatores que mais afeta o rendimento do café é a ocorrência das plantas daninhas no ambiente agrícola, competindo com as culturas de valor econômico, como no caso do café, e afetando diretamente a sua produtividade. Também depreciam a qualidade final do produto e elevam o custo da produção, dificultando a colheita por servirem de hospedagem para pragas e doenças”, explicou o coordenador de Cafeicultura do Incaper, Abraão Carlos Verdin.

"Logo no começo da nossa gestão, abraçamos o projeto com o Incaper e os parceiros. É importante ressaltar que essa rede tem o foco de difundir o conhecimento científico, por meio de pesquisas voltadas para o setor cafeeiro capixaba. Iniciativas como essa elevam a qualidade dos nossos cafés, gerando renda e riqueza para o Espírito Santo", pontuou o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Paulo Foletto.

A Rede Inova Café é composta pelos nove projetos de pesquisa, com o total de 53 pesquisadores envolvidos, sendo constituída por três eixos interconectados: Boas práticas e manejo; Absorção, efeitos e degradação; e Transferência de tecnologia. Os estudos realizados pela Rede desenvolvem metodologias para o maior controle de plantas daninhas no cafeeiro, além de entender o metabolismo que ocorre nas plantas.

As pesquisas são desenvolvidas com o propósito de difundir o conhecimento científico e a capacitação de técnicas de manejo em campo, entre cafeicultores e grupos associativos. O financiamento das pesquisas, no total de R$ 2,6 milhões, é realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), com o patrocínio da Nescafé. 

A pesquisadora e diretora técnica do Incaper, Sheila Posse, coordena o projeto intitulado “Capacitação, treinamento e transferência de tecnologia e inovação para o setor produtivo da cadeia do café capixaba quanto ao uso racional de herbicidas nas lavouras”. 

A finalidade da proposta é de realizar capacitações e treinamentos com os extensionistas do Incaper, técnicos de instituições parceiras, tais como cooperativas e associações de cafeicultores do Espírito Santo, sobre as tecnologias geradas pelos projetos que compõem a Rede Inova Café. “Pretendemos intensificar os processos de transferência de tecnologias e inovações sobre o uso racional do herbicida, principalmente o glifosato nas lavouras de café do Estado, visando à sustentabilidade da cafeicultura capixaba e ao aumento da renda, mediante à retomada das exportações do nosso café”, explicou Sheila Posse.  

A pesquisadora também lembrou que, este ano, o Incaper deu início a uma campanha de conscientização com técnicos e cafeicultores, por meio de vídeos que foram disponibilizados no canal do Instituto, no YouTube, abordando o uso correto de equipamentos na aplicação de defensivos agrícolas, calibração, pulverizador, tipos de plantas daninhas e sazonalidade, rótulos e bulas de agroquímicos, entre outros. A campanha também foi realizada por meio da produção de conteúdos no Facebook e Instagram, com o intuito de divulgar a proposta da rede.

“Durante esse tempo, já somamos mais de três mil visualizações na playlist da Rede Inova Café e mais de 9.700 novos inscritos, no canal do IncaperTV e no YouTube”, comemorou Sheila Posse.

A Rede Inova Café foi criada pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), é coordenada pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e composta por integrantes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Universidade Vila Velha (UVV) e por pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). 

Abraão Carlos Verdin coordena o projeto da Rede Inova Café, com o título: “Épocas de aplicação de herbicidas e princípios ativos no controle de plantas daninhas em cafeeiros”. O projeto consiste na verificação do manejo adequado de plantas daninhas nos cafeeiros, a partir de diferentes épocas. Os estudos do projeto estão sendo desenvolvidos nas Fazendas Experimentais do Incaper em Marilândia e Venda Nova do Imigrante, e em uma propriedade rural em Castelo. Os aspectos biométricos, fisiológicos, nutricionais e produtivos das plantas em lavouras de café são avaliados em laboratórios do Incaper, Ufes, UVV e UENF.

Verdin destaca que as espécies de plantas daninhas mais comuns nos três experimentos foram a Capim-amargoso (Digitaria insularis), a Capim Pé de galinha (Eleusine indica L. Gaertn), Serralha (Sonchus oleraceus L), Caruru (Amarantus deflexus L) e a Trapoeraba (Commelina benghalensis L).

“Fazemos o acompanhamento das aplicações de herbicida nas lavouras de café, além dos tratos culturais e manejos para cada lavoura, com a observação de possíveis pragas e doenças, nutrição das plantas, a determinação da colheita e o acompanhamento dos estágios de desenvolvimento dessas lavouras”, detalhou Verdin.

Os projetos de pesquisa da Rede Inova Café, coordenados pela Ufes e UVV, estão em desenvolvimento e têm prazo de vigência até 2022. As expectativas são que os conhecimentos sobre as pesquisas científicas comecem a ser difundidos ainda neste ano de 2021, assim como a primeira meta do projeto de transferência de tecnologia.

Texto: Tatiana Toniato Caus 

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