O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) participou, nesta quinta-feira (12), do Seminário de Extensão Tecnológica da Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul, na capital Campo Grande. O instituto foi convidado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), organizadora do evento, para apresentar a experiência capixaba de integração entre pesquisa e extensão rural no desenvolvimento da agricultura familiar, trabalho considerado referência no País.
O tema foi apresentado pelo diretor técnico do Incaper, Antonio Elias Souza da Silva, no painel “Políticas públicas e Extensão Rural”. Durante a apresentação, o diretor destacou as etapas do processo de geração e transferência de tecnologia, que vão desde a identificação das demandas dos agricultores até a adoção das inovações no campo.
“Nesse percurso, a interação entre pesquisadores, extensionistas e produtores é fundamental para transformar o conhecimento científico em soluções aplicáveis às propriedades rurais”, salientou.
Antonio Elias explicou que a integração entre pesquisa e extensão se sustenta em pilares institucionais, como a mobilização das equipes técnicas para aproximar as duas áreas de atuação, a criação de oportunidades de interação entre pesquisadores e extensionistas e a adoção de ações estruturantes e continuadas que fortaleçam uma cultura institucional de cooperação entre essas atividades.
Entre os benefícios dessa interação, o diretor destacou o aumento da segurança técnica do extensionista, que passa a atuar mais próximo do conhecimento científico produzido pelos pesquisadores, e o maior contato do pesquisador com a realidade das propriedades rurais, a partir da experiência acumulada pelos profissionais de campo.
“Essa relação também contribui para acelerar a difusão das tecnologias e fortalecer tanto a pesquisa quanto a extensão dentro das instituições”, frisou.
Exemplos de sucesso na integração
Para ilustrar essa integração na prática, Antonio Elias apresentou exemplos recentes desenvolvidos no Espírito Santo. Um deles foi o trabalho que resultou na indicação de novas cultivares de café arábica para o Estado, feita pelo Incaper no ano passado, fruto de pesquisas conduzidas com apoio direto do trabalho de campo realizado por extensionistas junto aos produtores, facilitando a adoção das variedades.
Outro exemplo citado foi o processo de pesquisa e desenvolvimento da nova cultivar de banana Ambrosia, lançada pelo Incaper no mês passado. A atuação conjunta entre pesquisadores e extensionistas foi fundamental tanto na condução dos experimentos quanto na validação da tecnologia, culminando na distribuição de mudas aos agricultores.
Mecanismos institucionais
Antonio Elias também explicou que, no Espírito Santo, essa integração é estimulada por mecanismos institucionais e políticas públicas que aproximam as duas áreas de atuação. Entre os exemplos citados está o Programa Inovagro, iniciativa do Governo do Estado que apoia projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados ao fortalecimento da agropecuária capixaba.
O programa é desenvolvido pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo (Seag) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), incentivando a formação de redes de pesquisa e a execução de projetos com participação de profissionais da pesquisa e da extensão rural.
“São iniciativas alinhadas às diretrizes do Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (PEDEAG 4), que orienta as políticas públicas voltadas ao setor no Espírito Santo”, pontuou Antonio Elias.
O painel “Políticas públicas e Extensão Rural” também contou com a participação do professor Adriano Figueiredo, da Escola de Administração e Negócios da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que abordou políticas públicas de desenvolvimento rural. A mediação foi realizada por Vitor de Oliveira, coordenador de Agricultura Familiar da Secretaria Executiva de Agricultura Familiar, Povos Originários e Comunidades Tradicionais da Semadesc.
Parcerias
O Incaper também foi representado no evento pelo gerente de Planejamento Pedro Carvalho, convidado em função do interesse do Governo de Mato Grosso do Sul em estabelecer parcerias com o instituto capixaba.
“Durante o seminário tivemos a oportunidade de interagir com professores, pesquisadores e extensionistas que atuam diretamente na agricultura familiar no Mato Grosso do Sul, o que abre espaço para troca de experiências e possíveis cooperações entre as instituições”, destacou Pedro Carvalho.
O seminário terminou nesta sexta-feira (13), marcando o encerramento de um ciclo de execução do edital de transferência tecnológica no Mato Grosso do Sul, que viabilizou 86 projetos voltados à agricultura familiar, desenvolvidos por instituições de pesquisa, ensino e extensão rural. O evento reuniu técnicos, pesquisadores, gestores públicos e parceiros institucionais para discutir experiências, desafios e perspectivas para o fortalecimento das políticas públicas e das ações de Ater no Brasil.
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