31/03/2021 11h18 - Atualizado em 31/03/2021 11h37

Cafés capixabas premiados conquistam cafeterias em Nova Iorque e na Austrália

Foto: Divulgação Incaper
Cafés arábica capixabas estocados na cafeteria Sey Coffee, em Nova Iorque.

Os cafés capixabas especiais estão conquistando cafeterias em Nova York e Los Angeles, nos Estados Unidos, e também do outro lado do mundo, na Austrália. Os grãos da bebida exportados são os vencedores do Prêmio Cafés Especiais do Espírito Santo, realizado pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), em dezembro de 2020. 

Além de premiar e incentivar a produção de cafés arábica e conilon especiais no Espírito Santo, o prêmio promoveu rodadas de negócios e a venda dos cafés. Uma delas resultou na exportação de lotes para a microtorrefação e cafeteria Sey Coffee, com sede no Brooklyn, Nova York, que tem a proposta de entregar uma seleção dos melhores, mais dinâmicos e complexos cafés do mundo. A Sey Coffee já ganhou o prêmio de melhor torrefação e cafeteria dos Estados Unidos.

Os cafés vendidos foram premiados em primeiro, segundo e terceiro lugares, na categoria arábica do prêmio. A produção dos cafés é feita nas cidades de Castelo e Brejetuba, respectivamente, pelos cafeicultores premiados William Sartori, José Antônio Romão e Valdeir de Paula. A qualidade dos cafés está rendendo elogios na “capital do mundo”, onde os provadores classificaram os cafés capixabas como exóticos, de perfil sensorial inovador e de grande complexidade de sabor.

O avaliador de café com certificação mundial Q-Grader, Rafael Marques, participou como juiz nas provas de cafés do prêmio. Ele também foi comprador dos cafés arábicas por meio da Faf Coffees, empresa responsável pela compra, conexão e exportação dos lotes campeões para as torrefações e cafeterias dos Estados Unidos e da Austrália. Os cafés foram exportados em sacas com a estampa Reserva Capixaba, um projeto criado pela empresa para ilustrar o vale onde foi produzido o café e a sua qualidade.

“Os compradores ficaram surpresos com os cafés capixabas. Destacaram que são perfis semelhantes aos cafés do Quênia, que têm grande complexidade de sabor, características únicas de terroir, que resultam em uma herança de fatores decisivos para deixar a bebida mais refinada. Não é comum encontrar no Brasil café com tamanha inovação de perfil sensorial. Isso vem para coroar o trabalho que foi feito no prêmio e, para mim, é o maior sucesso que podemos ter como pessoas que trabalham lado a lado com os cafeicultores”, disse Rafael Marques.

Estado tem produção de café consolidada

Ao longo dos anos, o Espírito Santo se consolidou como uma importante origem produtora de cafés especiais e exóticos. Prova disso, é que o Estado tem despertado o interesse e a curiosidade de diversos importadores, exportadores, cafeterias e torrefações do Brasil e do mundo, conforme citou o extensionista do Incaper Douglas Gonzaga. Para ele, os importantes prêmios conquistados reforçam ainda mais a evolução da qualidade tanto do café arábica quanto do conilon.

O extensionista, que também é avaliador de café, ressaltou a importância de premiações, como o Prêmio Cafés Especiais do Espírito Santo, que coloca todo esse trabalho em evidência, reúne todos os envolvidos na cadeia produtiva e destaca o trabalho dos nossos agricultores, dando visibilidade aos nossos cafés, além de projetá-los para o Brasil e o mundo.

“Ver os cafés capixabas ocupando as prateleiras e xícaras de cafeterias nacionais e internacionais é extremamente gratificante para nós, pois representa a valorização do trabalho de nossos agricultores. Além disso, mostra que o trabalho de assistência  técnica e os incentivos à produção de cafés especiais têm rendido frutos e bons cafés. Esse trabalho é realizado pelo Incaper, instituições e empresas parceiras”, destacou Douglas Gonzaga.

Venda para Los Angeles e Austrália

O café que conquistou o primeiro lugar na premiação também teve como destino Los Angeles, nos Estados Unidos. A cafeteria com o nome SPLA remete às siglas das cidades de São Paulo e Los Angeles. O proprietário é estadunidense e fez a homenagem devido aos anos que morou na cidade brasileira. Do outro lado do mundo, a cafeteria Supreme Coffees, na Austrália, foi a que recebeu o café arábica e conquistou o segundo lugar no Prêmio Cafés Especiais do Espírito Santo.

Texto: Andreia Ferreira

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